terça-feira, 19 de setembro de 2017

Ipê que fala

E no meio da seca
Do fogo, do pó
Você floresce
Entrega o sol na forma de buquê
E forma colchões amarelos no chão duro

A seca há de continuar!
Mas você sabe que a alegria da chuva chega
E o colchão de flores será colchão de sementes
Aladas!
Prontas pra voar e germinar um novo sol

Sim

Nem vi virar gaivota
Voando em céu azul
Nem vi anoitecer a não ser
Quando ficou impossível não enxergar tantas estrelas
Foi o infinito mais bonito e aí eu vi
Que quando você vem
E a gente gruda e voa e pousa
É como viver sem medo do mirante mais alto e, ao contrário, desejá-lo
Grudo sim no seu pé
Mão, barriga, coxa, boca
Grudo mais, me aninho em você
Fico
Inteira, toda

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Você Ipê

Hora de botar pra fora
Dizer verdades
Queimar papéis

Decidi então queimar o papel de uma vida inteira
E percebi que a vida não era mais que uma série de decisões
Todas elas, cada uma delas, estremecia o universo e gerava um rearranjo

Numa dessas decisões, talvez a mais radical
O universo remexeu furioso
Fez no mar ondas gigantes
Na terra buracos infinitos
Em mim dores inimagináveis
Mas no meio disso tudo eu vi um ipê amarelo
Uma recompensa

Pensa, eu nem esperava
Um conforto
Tipo um travesseiro no chão duro
E que chão duro do caralho

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Laços

- Você dá um nó na minha cabeça.
- Vamos desatar e fazer um laço?

sábado, 13 de maio de 2017

Silêncio

Fazia silêncio
E era teu, tua ausência
O grito da minha alma
Desespero armava
Despedaçava
Tudo, todo o pouco que havia
Ardia
Chamas, eu.
Não me chamavas, tu.
Ninguém sabia o que eu passava
Ninguém sabia o que eu sentia
Mas firmei os pés no chão 
E levantei forte o rosto: “Não”.
Enxuguei e segui
Seca 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Poço

Quando um não quer dois não podem
Eu bem queria querer
Mas não quero mais, bem
Não posso


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sentir, só


Não sei de nada
Não faço nada
Não sou de nada
Mas sinto muito, amor