terça-feira, 11 de abril de 2017

Poço

Quando um não quer dois não podem
Eu bem queria querer
Mas não quero mais, bem
Não posso


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Sentir, só


Não sei de nada
Não faço nada
Não sou de nada
Mas sinto muito, amor

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Funciona

Contra a armadilha do tempo
tenho armadura chinfrim:
tomo as coisas mais simples
como se fossem sem fim

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Da missa um terço

Tanta coisa acontecendo
Tu em palavras desenfreadas
(ou silêncio)
Na missa eu rezo um terço e meio
Não sabes de mim mais nada.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Canção para você

Então seria isso? Sempre a retomada de um encontro comigo mesmo a despedida de você? Sei que a solidão é esse peso inevitável, que minhas mãos estão secas e os seus cabelos cheios de caspa, mas não imaginei que as coisas no mundo fossem me derrubar novamente, eu, forte e viva que estava. Não sei qual é a parte que me cabe em cada membro de você, nunca poderei saber. Decidi aceitar: sou isso, olha, só isso. Ouve então essa canção que aprendi no enterro do meu avô e nunca me esqueci, desde os dez anos de idade, quando não sabia o que era permitido em ser criança: não temas, segue adiante, e não olhes pra trás.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Não sei

Despistei meus medos, virei à esquerda e prossegui como quem sabe exatamente para onde vai. Estava firme. Firme, isto não é ser dura, entende? Caminhei, caminhei. Como um robô, parei apenas quando a comunicação falhou. Ajoelhei-me, agachei, me dobrei, revirei. Pensei que deveria sair dali o mais rápido possível, mas o meu corpo estava imóvel, tremendo, queimando, sumindo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Meio de falar

Nada me cala a voz
Nada põe fogo em meu corpo
Nada em mim atravessa
A não ser você

Nada me vira do avesso
Nada em mim tem começo
Desconheço o que é desfecho
A lei aqui é o meio

Meio de chegar
Meio devagar
Meio de desfazer teus nós
Te conhecer
Meio de te assegurar:
Calma
O tempo está no lugar